História da Medicina Veterinária

Por Percy Hatschbach

Os 90 anos do professor doutor Milton Thiago de Mello
Nosso grande homenageado nos 25 anos de A Hora Veterinária

Nada melhor para comemorar o aniversário de um grande mestre, do que transformar o evento em um encontro internacional da ciência veterinária, sua grande paixão. Assim, nos dias 3 a 5 de fevereiro, foi realizada em Brasília a 1a Conferência Internacional do Instituto Milton Thiago de Mello, com a presença de destacados cientistas do Brasil, Austrália, Argentina, Colômbia, China, Espanha, El Salvador, Estados Unidos e México. Assim, o Professor Doutor Milton Thiago de Mello completou seus noventa anos de vida como sempre foi, um primus inter pares que soube amealhar cultura científica e sabedoria humanística sem deixar de cultivar amigos. E lá estávamos nós, seus amigos e admiradores, de todas as latitudes e de todas as idades, liderados por outro nonagenário de grande destaque, o Professor Jadyr Vogel, Presidente da Academia Brasileira de Medicina Veterinária. Na sessão de abertura da Conferência foram assinados diversos Protocolos de Intenções com instituições ligadas às atividades do Instituto e lançado o livro do Professor Milton, “Animais Silvestres e Meio Ambiente”. As conferências estiveram a cargo do Professor Adelmar Coimbra Filho, fundador e ex-diretor do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, do Professor Albino Belotto, coordenador do Programa de Saúde Pública Veterinária da Organização Pan-Americana da Saúde e do Professor Cláudio Pádua, diretor científico do Instituto de Pesquisas Ecológicas de São Paulo. No último dia do evento, data do aniversário do homenageado, foi inaugurada a sede campestre do Instituto Milton Thiago de Mello, localizada em Sobradinho, DF, Chácaras Lago Oeste. E num ambiente onde dominavam os veterinários, não poderia faltar o tradicional churrasco, muita alegria e descontração. Milton Thiago de Mello é natural do Rio de Janeiro, onde nasceu em 5 de fevereiro de 1916. Graduou-se Médico-Veterinário aos 21 anos, em 7 de dezembro de 1937 pela antiga Escola de Veterinária do Exército, umas das pioneiras, fundada na cidade do Rio de Janeiro em 1910. Em 1946 doutorou-se em Microbiologia pela Escola Nacional de Veterinária. Foi professor de Microbiologia, Primatologia, Animais Silvestres e Bem-Estar Animal nas seguintes Universidades: Federal Fluminense (UFF), de Brasilia (UnB), Autônoma de Santo Domingo, de San Salvador e da Califórnia (USA). Foi também psquisador do Instituto Oswaldo Cruz e docente no Colégio Militar do Rio de Janeiro. Conhecido e admirado no mundo todo, recebeu mais de duas dezenas de distinções e prêmios de renomadas organizações e entidades nacionais e internacionais. Destacamos, entre elas, as do “Comité Français de l’Association Mondiale Vétérinaire”, da “The World Veterinary Epidemiology Society”, da “Sociedade Colombiana de Primatologia” e do “The John Guggenhiem Memorial”. É membro honorário da Real Academia de Ciências Veterinárias de Londres, da Academia Americana de Microbiologia e da Academia de Ciências de Nova York. Portador da Medalha do Mérito da Medicina Veterinária em grau de Comendador e Grã Cruz, foi Secretário Geral da Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária de 1996 a 2005. Membro da Academia Brasileira de Medicina Veterinária, é filiado a mais de 30 sociedades científicas, além de ter participado da fundação de 14 delas. Foi consultor da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e da FAO. Além disso, é autor de vários livros e tem mais de 150 artigos científicos e técnicos publicados sobre brucelose, peste bubônica, micologia, primatologia, meio ambiente e ensino veterinário. Mas acima de tudo, o que mais impressiona em Milton Thiago de Mello é sua alegria de viver. Onde estiver presente, é cercado por amigos, colegas, ex-alunos. Um invejável causeur, narra com bom-humor suas peripécias em diferentes lugares do Brasil e do mundo e, quando escreve contando as maravilhas que viu, seu texto é uma verdadeira poesia em prosa. Como no artigo sobre o “Jalapão”, um paraíso perdido no extremo oeste do Estado de Tocantins (vide HV nº 147, página 75): Aí, chegamos às dunas. Do meio do cerrado elas surgiram. Areia amarelada e grossa trazida pelo vento que raspa os arenitos, a beira de pequeno riacho, lá estavam elas, ao pôr-do-sol. Deslumbramento de todos. Escalada e gritos de alegria. Pouco a pouco a claridade do dia foi substituída por um horizonte de fogo, depois cinza e, finalmente, só a lembrança do sol que se fora. As palavras de felicidade, entremeadas com mutismos sentimentais, não conseguiram vencer ou quebrar o encantamento. Pouco a pouco, deitados na areia, em silêncio, correntes de energia se formaram. Desde a tímida imitação de Michelangelo, com pontas de dedos transmitindo amor e sopro divino, até a grande corrente em que todos certamente pediam aos céus a satisfação de seus desejos. Esperou-se escurecer para o espetáculo das estrelas em noite sem lua. Com esta, seria outro tipo de esmagamento celestial. O encantamento continuava. Finalmente, alguns despertaram para suas realidades e lá fomos nós dunas abaixo.(...) Como disse Calderón de la Barca: “La vida es sueño y los sueños sueños son”. Muito obrigado, Professor Milton, por existir, por agir e sonhar, por ser como é.

© Copyright 2002-2006 - A Hora Veterinária  
Todos os direitos reservados.
Desenvolvimento DMiranda Editoração