Entrevista

Médico Veterinário Vilson Antonio Simon,
novo Gerente Geral da Intervet/Schering-Plough Animal Health para todo o Brasil: É fundamental para um gestor gostar de gente e, genuinamente, estar compromissado com as pessoas que constroem as empresas.

Dizem que ninguém é insubstituível, mas nem sempre substituir pessoas é uma tarefa fácil. Principalmente quando se sabe (e essa é a filosofia de nosso entrevistado) que são as pessoas que constroem as empresas. Assim, ao recebermos a notícia que Vilson Simon assumira a Gerência Geral da Intervet/Schering-Plough Animal Health, com a promoção de Fernando Heiderich para o cargo de Vice-Presidente Mundial da empresa no segmento de Ruminantes, e sua transferência para a Holanda, decidimos oferecer-lhe este espaço para exposição de sua filosofia de trabalho... e de vida. O resultado não poderia ter sido melhor, uma vez que Vilson Simon, nesta entrevista, além de demonstrar sua alta qualificação para o exercício do novo cargo, demonstra também como a medicina veterinária brasileira pode se dar ao luxo de exportar executivos como Fernando Heiderich, sabendo que outros da mesma envergadura estão preparados para funções de tanta responsabilidade.
Nascido em Pinhalzinho, Santa Catarina, no dia 11 de novembro de 1962, Vilson Antonio Simon diplomou-se Médico Veterinário pela Faculdade de Medicina Veterinária da UDESC, Lages, em 1986. Aos 47 anos de idade, dedicou metade de sua vida a uma carreira profissional de grande sucesso. Depois de especializar-se em Aves e Suínos, em Lavras, Minas Gerais, anexou ao seu currículo o curso da MBA-FIA, pela USP-Universidade de São Paulo, e realizou Mestrado Profissional em Agroenergia.
De forma objetiva, Vilson Simon resume o essencial de seu trabalho nos últimos vinte e três anos: Na minha carreira, que começou em 1986, passei pela área técnica, gerência de produto e cargo de gestor. Nesta função tive a oportunidade de lidar com transformações que me deixaram uma bagagem profissional de peso. Ter passado pela Cargill Nutrição Animal (Purina) e por todo o seu processo de venda para o Grupo Evialis do Brasil e pela Phibro Saúde Animal – onde fui diretor Regional para a América Latina- foi muito útil para que meu retorno a Intervet/Schering-Plough Animal Health gere muitas contribuições.
Casado com a Médica Veterinária Juliana Rezende e pai de três filhos: Yasmin (16 anos), Helena (5 anos) e Lorenzo (2 anos), Vilson Simon também pode se considerar como um homem de sucesso em sua vida particular. O que também esta entrevista revela ao leitor com total transparência.
 

A Hora Veterinária - Quando recebeu o convite para assumir a gerência geral da Intervet/Schering-Plough Animal Health, qual foi a sua primeira reação?
Vilson Antonio Simon - A primeira reação foi ficar muito contente por poder retornar para uma empresa onde aprendi muito e trabalhei por tanto tempo. Como executivo, vi esse convite como reconhecimento muito importante e praticamente irrecusável. O propulsor da decisão foi meu coração, aliado ao desafio de liderar uma companhia desse porte. O Brasil é a segunda unidade de negócios no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Hoje, essa empresa que assumo é diferente da que deixei em 2006. É muito mais complexa, dinâmica e com muitas oportunidades. É uma empresa admirável.

HV - Sabemos da grande valorização que costuma dar às equipes sob sua liderança. Será essa sua principal estratégia de ação?

Simon - Sim. Eu tenho como filosofia e prática de gestão trabalhar com os 3 P’s – Pessoas, Processos e Produtos.  Eu tenho convicção que o pilar fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento empresarial é o P de Pessoas. Gosto de desenvolver profissionais, poder participar da construção de carreiras e, acima de tudo, eu me realizo com o sucesso dos meus semelhantes. É fundamental para um gestor gostar de gente e, genuinamente, estar compromissado com as pessoas que constroem as empresas. Tudo começa por P de pessoas.

HV - Em sua primeira declaração como gerente geral, o senhor afirmou que seu objetivo é crescer 14% em relação às vendas de 2009. Isso significa que, além de confiar no trabalho de sua equipe, também acredita na plena recuperação do nosso mercado?
Simon - A partir do final do ano passado, o mercado começou a retomar o crescimento e a Intervet/Schering-Plough ainda consolidava todo o processo de fusão da Intervet com a Schering-Plough. Neste ano, sabemos que o mercado terá um crescimento positivo e queremos não só acompanhá-lo, como superá-lo, já que a empresa está mais do que consolidada e tem tudo para atingir os objetivos propostos.

HV - No que se refere a novos produtos, poderia adiantar aos nossos leitores quais serão os próximos lançamentos?
Simon – Infelizmente, não posso adiantar o que iremos lançar, mas posso dizer que, no momento, estamos trabalhando focados nos últimos produtos e programas que lançamos em 2009. Gostaria de citar algumas soluções que estamos trabalhando. Para animais de companhia estamos com um projeto de plataforma de saúde pública, no compromisso de divulgar a importância do controle da leishmaniose no Brasil. Para isso, estamos preparados para essa grande responsabilidade com o produto Scalibor® e com fortes campanhas pelo país que contam com a presença de nosso time técnico. Já para o segmento de suinocultura lançamos CIRCUMVENT PCV, uma vacina de duas doses criada para combater a circovirose suína, doença que tem causado grandes prejuízos aos produtores. Em avicultura temos diferentes programas e um que está em destaque é o Food Safety, que visa à segurança alimentar em toda a cadeia, age no combate a salmonelose.  Além disso, em pecuária, temos a linha reprodutiva mais completa do mercado, programas voltados para a capacitação de mão de obra, times especializados em gado de corte, gado de leite, pequenos ruminantes, equinos e parasitas/sanidade.  E, também, estamos investindo em uma unidade de negócios que acreditamos ter muito espaço no país, a aquicultura. Desenvolvemos vacinas para camarão, antibióticos para tilápia e, em breve, lançaremos novos produtos.

 

HV - A presença de Fernando Heiderich  como Vice-Presidente mundial no segmento de ruminantes também significa que haverá uma visão mais focada da matriz, na Holanda, em relação aos negócios da empresa no Brasil?
Simon - Absolutamente sim, pois o Brasil no contexto global da organização é o 3º maior mercado mundial para Ruminantes e, sem dúvida nenhuma, uma das regiões do mundo que tem o maior potencial de desenvolvimento, principalmente com as plataformas de saúde e produtividade. O Brasil ocupará cada vez mais um papel fundamental na produção de proteínas para alimentar a humanidade. Contamos com a colaboração do Fernando para que possamos estar sempre à frente com novos produtos e serviços. Aliás, o Fernando é um profundo conhecedor deste mercado no Brasil e poderá agregar muito dos grandes projetos realizados no Brasil na estratégia global.

HV - Qual a sua opinião sobre o Prêmio de Pesquisa Clínica Intervet/Schering-Plough Animal Heath, agora em sua 12ª edição?
Simon - Esse prêmio é algo que aprecio muito na companhia. Com ele valorizamos profissionais das áreas de suinocultura, pecuária, pet, aquicultura e avicultura e, o mais importante, incentivamos a pesquisa. O incentivo não vem só do fato de oferecermos o concurso, mas sim de investirmos nos ganhadores, oferecendo como prêmio a participação em qualquer congresso do mundo com todas as despesas pagas. Queremos que os candidatos entendam a importância das pesquisas não pararem e da descoberta de novas soluções para os produtores.  

HV - Quando se diplomou Médico Veterinário, em 1986, imaginava que em tão poucos anos viria a ser um dos mais importantes executivos da indústria veterinária no Brasil? Ou eram outros seus sonhos, lá em Lages, ao fazer seu juramento de formando?
Simon - Eu sempre digo que a vida é um mistério. O meu sonho era trabalhar com suinocultura e retornar para a minha terra natal (Pinhalzinho-SC) e um dia ser o prefeito da cidade. Iniciei assim. Mas, intuitivo que sou, o meu coração me dizia que eu tinha que seguir um outro caminho. Mudei meu direcionamento para avicultura, fui trabalhar na Aurora em Chapecó-SC, depois na Rhodia Merieux Veterinária Ltda (Campinas – SP, hoje Merial) e fui seguindo o fluxo dos acontecimentos, até chegar aqui. Eu tenho convicção que o resultado de nossas ações no presente desenham e preparam o seu futuro. Tem tudo a ver com sintonia com o universo, aliás tem um ditado que diz : “quando queremos algo, verdadeiramente, o universo conspira a favor”.  Mas é preciso trabalhar muito e contribuir com o seu entorno, em todos os aspectos. Aproveito a oportunidade para recomendar aos leitores de A Hora Veterinária um livro que é uma fonte de inspiração sobre este tema do mistério da vida e a sintonia com o fluxo dos acontecimentos : SINCRONICIDADE, de Joseph Jaworski. Vale a pena conferir.

HV - Dentro do mesmo tema, se um dia suas filhas Yasmin e Helena, ou seu filho Lorenzo, disserem a você e a sua esposa Juliana que pretendem ser veterinários, o que dirá a eles?
   Simon - Tudo o que construí em minha vida foi através da minha formação em medicina veterinária. A Juliana também é Veterinária, da UFMG. Portanto, não tenho dúvida nenhuma em apoiá-los nesta decisão. A Medicina Veterinária é uma das formações acadêmicas que oferece o maior leque de oportunidades profissionais, não é verdade ? E finalmente, ficaria orgulhoso se um dos meus filhos seguisse a carreira do papai e da mamãe. Seria um privilégio.
 

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